Mais Saúde: Atividade Física e Alergias Respiratórias

Este segmento converge o tema para as alergias causadas ou intensificadas pela prática de atividades físicas.

            É comum as pessoas alérgicas associarem uma piora de seus sintomas a exercícios físicos e ao estresse emocional, ou diante do aparecimento de sintomas o aumento da ansiedade. É um círculo vicioso onde o estado de tensão física aumenta o estado de tensão psíquica e vice-versa.

            A melhora da aptidão física, com os consequentes benefícios físicos e fisiológicos, permite que as pessoas com reações alérgicas suportem, com mais tranquilidade, os agravos em sua saúde.

São inúmeros os benefícios advindos da melhora da condição física do alérgico. À medida que aumentam a resistência e a tolerância ao exercício físico, bem como a capacidade de trabalho, verifica-se seu resultado mais desejado: a diminuição, sensível e progressiva, do desconforto e das manifestações alérgicas.

Tanto a terapêutica medicamentosa quanto as medidas preventivas, por meio da atividade física, são prescritas em função dos danos físico-orgânicos e sociais que as manifestações alérgicas costumam provocar.

A atividade física adaptada constitui-se de um tratamento coadjuvante e, portanto, não dispensa medicação e os cuidados ambientais.

1. Rinite

A mucosa nasal, que apresenta, naturalmente, uma variação espontânea, pode apresentar-se alterada em decorrência da prática de exercícios e de condições alérgicas.

A atividade física, em si, pode não ser a principal causa desencadeadora dos sintomas alérgicos. A maior exposição e contato com os alérgenos, presentes tanto no ambiente interno (pó e mofo) como externo (poluição, temperatura e umidade do ar), fazem com que seja comum a associação de sintomas alérgicos à prática de atividades físico-esportivas, em virtude do maior volume de ar que passa pela mucosa nasal durante o exercício físico.

A rinite induzida pelo exercício apresenta vários graus de congestão nasal, rinorreia e espirros, sendo cada vez mais comum acometer aqueles que praticam as corridas e o ciclismo. Essas atividades, coincidentemente, são, também, as que mais provocam broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE).

A corrida e os jogos com bola têm sido apontados como as atividades que mais frequentemente ocasionam o aparecimento dos sintomas alérgicos, sendo considerados como fatores precipitantes a umidade e a temperatura do ar. Deve-se considerar que as pessoas alérgicas têm maior congestão e sensibilidade da mucosa nasal do que as não alérgicas.

Medidas preventivas devem ser adotadas pelo alérgico. Sendo pertinente lembrar que um tratamento profilático pode aumentar a tolerância de pessoas com esses distúrbios à atividade físico-esportiva.

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2. Broncoespasmo Induzido pelo exercício

Se por um lado, as atividades físicas trazem benefícios e, cada vez mais, são recomendadas, por outro lado, podem provocar o broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE). A realização de uma atividade física intensa pode desencadear uma crise de broncoespasmo induzido pelo exercício ou BIE, que aparece de 5 a 15 minutos ao término do exercício.

O aparecimento dos sintomas, tais como tosse, chiados, falta de ar e sensação de aperto no peito, são suficientes para desmotivar o asmático a praticar atividades físico-esportivas. O receio de que a qualquer momento possa surgir uma crise de asma e em geral, a necessidade de interromper os exercícios ou o lazer são situações que não estimulam o alérgico.

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Há indicativos de que em 80% a 90% dos asmáticos e em 40% dos atópicos (não asmáticos), os exercícios físicos são provocadores de BIE. Outros, ainda, apontam a incidência de BIE em 25% de atletas.

Tosse, dispneia, aperto torácico e chiado que aparecem logo depois dos exercícios, são os sintomas característicos do broncoespasmo. E em geral, podem ser confundidos, por professores de educação física e técnicos esportivos, com um baixo condicionamento físico. Nesse sentido, aquele que se presta a oferecer orientações deve, inicialmente, levantar o histórico dos sintomas e os possíveis problemas clínicos a eles associados, especialmente quando houver suspeita de rinite alérgica. Deve-se compreender que nem todas as atividades físicas provocam esse tipo de reação. Cada tipo de exercício em intensidade diferenciada provoca uma determinada magnitude de crise. Os exercícios físicos podem ser classificados entre aqueles que são mais asmagênicos, ou seja, que possuem  a capacidade maior de provocar crises de asma, como é o caso da corrida, e aqueles menos asmagênicos, como a natação.

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Sabe-se que os fatores contributivos para provocar crises de asma são o resfriamento e o ressecamento das vias aéreas durante a atividade física. Deve-se atentar para a importância da respiração nasal durante a realização de exercícios físicos

Cinco minutos após o esforço físico, surgem as repostas sintomáticas do organismo. Depois de 60 minutos, aproximadamente, a situação se reverte para a maioria das pessoas, pois o BIE provoca uma única crise de rápido início e recuperação. No entanto, certas pessoas podem apresentar uma reação tardia, depois de 4 a 10 horas ao término do exercício.

O tratamento do BIE precede de medidas farmacológicas e, também, não farmacológicas, recomendadas pelo especialista que avalia as particularidades de cada caso.

As pessoas que alcançam uma boa condição física possuem melhor resistência cardiorrespiratória, maior eficácia da mecânica respiratória que se traduz em melhores fluxos expiratórios, melhor ventilação pulmonar e, consequentemente, a diminuição do volume residual. Esses benefícios auxiliam a minimizar os impactos do BIE, pois há maior tolerância ao exercício físico e maior capacidade de trabalho, diminuindo, então, o desconforto causado pelo broncoespasmo.

Exercícios físicos

Recomenda-se compreender, inicialmente, como funciona o organismo, em especial, quando há o esforço físico, pois, assim, o indivíduo poderá trabalhar a favor, e não contra, a sua própria saúde e bem-estar.

As atividades físicas podem provocar, de modo mais ou menos intenso, algum tipo de manifestação alérgica. As variáveis que concorrem para o aparecimento de sintomas alérgicos referem-se ao tipo, intensidade e duração do esforço físico, o que determina, por sua vez, o agravo das reações.

Algumas atividades como a corrida e o ciclismo, podem provocar crises mais fortes. Entretanto, não é preciso evitá-las totalmente, pois são muito eficientes para melhorar a aptidão cardiovascular e promover a adaptação do organismo ao esforço físico.

O mais adequado começo é realizar caminhadas. Inicialmente, deve-se andar durante 5 a 10 minutos e, gradativamente, chegar a um período de 30 a 35 minutos de caminhada.

Numa segunda fase, acelerar o passo, observando a movimentação dos braços que deve se tornar mais vigorosa.

Depois de já estar adaptado à caminhada, pode-se então intercalar pequenas corridas ou trotes com duração de 1 ou 2 minutos e, em seguida, voltar a caminhar por mais 5 ou 6 minutos.

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Gradualmente, aumentar o tempo da corrida, sempre controlando a frequência cardíaca.

Recomenda-se que a frequência cardíaca permaneça entre 60% a 70% da frequência máxima indicada para a sua idade.

Prof. Luzimar Teixeira

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