Atividade Física e Alergias

Neste artigo, há orientações e informações importantes a respeito das alergias que, entre outras causas, podem estar associadas às atividades físicas, com foco na parte dermatológica.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a alergia atinge cerca de 30% da população mundial. No Brasil 35% das pessoas sofrem com as doenças alérgicas, em especial a asma, que atinge cerca de 16 milhões de pessoas e é a quinta maior causa de internações no SUS, segundo dados ao Ministério da Saúde.

Uma das maiores preocupações no inverno é a manifestação aguda de alergias respiratórias como a asma e a rinite, que são responsáveis pelo aumento da demanda nas emergências de ambulatórios e hospitais. Os sintomas como coceira no nariz, olhos irritados, coriza e dores de cabeça, são comuns nessa época e facilmente confundidos com os sintomas de um resfriado, mas pode ser resultado de uma manifestação alérgica.

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Na região metropolitana de São Paulo, esse quadro é agravado pela inversão térmica, ausência de ventos e a consequente dificuldade na dispersão dos poluentes, além das variações bruscas de temperatura.

As alergias apresentam importante caráter genético, ou seja, uma incidência maior entre as pessoas cujos pais são alérgicos. As alergias podem iniciar suas manifestações em qualquer idade, mas são mais frequentes na infância e adolescência, não havendo incidência maior ou menor em razão de sexo ou raça.

1. Atividade física e alergia

A alergia é a resposta imunológica à exposição de estímulos do ambiente que varia conforme as características e suscetibilidades individuais.

A realização de qualquer atividade física, particularmente aquelas realizadas em ambientes externos, onde há maior probabilidade de exposição e contato com inúmeros fatores desencadeantes, pode ser suficiente para provocar e agravar a condição alérgica de uma pessoa.

Nos últimos anos, os programas de exercícios e atividades físico-esportivas têm sido largamente difundidos e recomendados, já que esta é uma maneira eficaz para trazer benefícios para a saúde individual. É notável o crescente interesse e envolvimento das pessoas por tais programas, e isto poderia levar a um aumento na ocorrência de uma variedade de problemas alérgicos associados ao estímulo físico através dos exercícios. Qualquer pessoa está suscetível a apresentar algum tipo de manifestação clínica; inclusive aquelas que praticarem atividade física ou esportiva de forma regular ou recreativa, até mesmo atletas de elite que subsistem do esporte profissional ou amador.

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Uma pessoa pode apresentar uma ou mais manifestações ou tipos de alergias. A condição pode, então, se agravar em decorrência da realização de alguma atividade física ou esportiva. Pode, ainda, estar associada à ingestão de certos alimentos ou de medicamentos. A vasodilatação, que é consequente à prática de exercícios físicos, tem sido apontada como um fator facilitador da distribuição dos mediadores/alérgenos para várias partes do corpo, o que traz à tona alergias latentes.

Devido à possibilidade de haver a combinação de manifestações, a alergia induzida pelo exercício físico tem sido abordada como um “continuun”, em virtude da separação, nem sempre muito clara, das entidades. Torna-se evidente, portanto, a necessidade de orientação adequada para se conseguir, não apenas o efetivo tratamento e controle, mas também, a garantia dos benefícios que os proporcionados pela prática regular de programas de atividades adaptadas.

As reações alérgicas aqui abordadas estão relacionadas ao estímulo provocado pelo exercício físico.

2.  Anafilaxia

Os sintomas típicos são rubor, sensação de calor e uma urticária generalizada – essa última quando associada ao exercício físico, mas não associada ao aquecimento passivo provocado pelos banhos de sauna, por exemplo. Ocorrem, também, sintomas respiratórios, como a “falta de ar” e o chiado, devido à obstrução de vias aéreas superiores. Outros sintomas incluem a hipotensão, cólicas gastrointestinais e o angioedema, principalmente, nas mãos e no rosto. Esses, por sua vez, podem ocorrer, de forma acentuada quando a mulher está próxima do seu período menstrual; com o uso de aspirina e antiinflamatório não esteróides, ou ainda, quando estão presentes alérgenos conhecidos. A associação de exercícios e a ingestão de peixes e frutos do mar, principalmente, provocam efeitos alérgicos em certas pessoas.

O tratamento é sintomático e, em geral, problemático. As medidas preventivas são, portanto, fundamentais devido ao potencial de perigo que os sintomas representam.

3. Urticária

Inúmeras são as causas da urticária induzida pelo exercício, bem como os mecanismos de ação. Sua manifestação é frequente e caracteriza-se por lesões na pele e mucosas, variando de tamanho e morfologia.

A urticária como manifestação alérgica, devido à sua diversidade, será abordada, a seguir, de acordo com as possíveis relações entre a atividade física e as condições do ambiente.

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3.1 Urticárias pelo frio

Eritema, prurido e edema são os sintomas ocasionados pela exposição do corpo ao frio e aparecem, principalmente, nas áreas do corpo em que ficam diretamente expostas a esse estímulo, em geral, o rosto e as mãos.

Para uma atuação preventiva deve-se considerar, basicamente, que os sintomas alérgicos da urticária induzida pelo exercício podem ser potencializados quando as atividades físicas são realizadas em ambiente externo. Isto porque nesse ambiente, além da intensa exposição ao frio, estão presentes outros alérgenos também irritantes.

A exposição total do corpo ao frio, como é o caso de quem pratica natação, requer cuidados especiais. Na natação há uma acentuada liberação de mediadores, o que pode levar a uma grave hipotensão. Portanto, nadadores ou praticantes de natação, que tenham essa sensibilidade devem ser orientados a adotar medidas e/ou medicamentos preventivos.

3.2 Urticárias pelo sol

Vários tipos dessa manifestação aparecem decorrentes da exposição ao sol – um hábito usual e em moda – podendo ser descritos e classificados de acordo com a intensidade dos raios solares.

As partes do corpo expostas ao sol apresentam certo inchaço, coceira e eritema. A realização de algum tipo atividade física em tal condição ambiental pode, então, potencializar ainda mais esses sintomas.

A corrida, o ciclismo, a caminhada vigorosa, o voleibol e o futebol de praia são atividades normalmente praticadas a céu aberto, havendo, portanto, a exposição do corpo ao sol de modo direto e prolongado. Essa situação é, potencialmente, provocadora de estímulos capazes de desencadear manifestações alérgicas que agravam a sintomatologia da urticária. Deve-se, contudo, relembrar que a combinação de alimentos inadequados, tais como chocolates e frutos do mar, pode ser provocadora de manifestações alérgicas ainda mais acentuadas.

As medidas preventivas, durante a prática de atividades físicas, incluem a aplicação de loções protetoras com filtro solar e o uso de óculos com lentes próprias contra raios U.V.A. e U.V.B.

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3.3 Urticárias colinérgicas

As manifestações de pele da urticária colinérgica são diferenciadas. As erupções são pequenas e ocorrem entre 2 a 30 minutos depois do exercício físico ou aquecimento passivo (banho quente e sauna). Podem ocorrer, também, em virtude da transpiração e do suor, tanto em situações de ansiedade, como também durante as atividades físicas. Isso porque nesses casos há o aumento da temperatura corporal.

Os sintomas aparecem, em geral, na parte superior do tórax e no pescoço, espalhando-se, em seguida, por todo o corpo. A maioria das pessoas com essa sensibilidade tem a erupção e a coceira como a principal manifestação.

No caso específico de urticária em que o exercício é, evidentemente, o fator provocador dos sintomas alérgicos, pode haver, ainda, alterações na função pulmonar e, como consequência, o aparecimento do “chiado no peito”.

O programa de atividades deve estabelecer, é claro, a quantidade, duração e intensidade de exercícios físicos adequados a cada alérgico. O controle e a variação dos exercícios são os aspectos que podem garantir a melhora do nível de tolerância ao exercício.

4. Dermografismo

Os sintomas do dermografismo são o aparecimento de vergões na pele e a coceira depois de um golpe, pancada ou arranhão. Na maioria dos casos, esses sintomas duram por seis ou 7 minutos, mas podem persistir por até 3 horas.

A prevenção do dermografismo, quanto à prática de atividades físico-esportivas, é feita evitando-se os jogos e esportes de grande contato físico. O rúgbi, o judô, a luta greco-romana e o futebol americano proporcionam um corpo a corpo muito intenso. Em menor grau, porém propícios à sensibilidade individual, estão o basquete, o futebol e o karatê.

O tratamento é sintomático e medicamentoso.

Prof. Luzimar Teixeira

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