Mais Saúde: Relações entre obesidade e asma

Será que a obesidade interfere nas crises de asma? Confira os apontamentos feitos pelo professor Luzimar sobre o assunto.

OBESIDADE E ASMA QUAIS AS RELAÇÕES?

As prevalências de obesidade e asma têm aumentado nas últimas décadas.

Apontam-se vários mecanismos biológicos (imunoinflamatórios, hormonais, genéticos, dietéticos, mecânicos e atividade física) para explicar esta relação.

O mais provável é que exista mais de um mecanismo implicado.

Os primeiros estudos longitudinais em adultos demonstraram que as mulheres que ganhavam peso depois dos 18 anos tinham um risco maior de desenvolver asma.

Imagem: freepik

Os primeiros estudos longitudinais em população pediátrica demonstraram que as meninas, mas não os meninos, que se tornavam obesas ou adquiriam sobrepeso entre os 6 e 11 anos de idade, tinham 7 vezes mais risco de desenvolver asma.

Nos últimos anos mais de 20 estudos epidemiológicos, tanto em adultos como em crianças, tem confirmado a existência desta conexão entre a obesidade e prevalência de asma, principalmente no sexo feminino.

Sem dúvida, a explicação para esta relação é muito complexa e se tem postulado pelo menos cinco possíveis mecanismos biológicos:

1. Efeitos diretos sobre a mecânica respiratória funcional.

Os efeitos mecânicos da obesidade sobre o aparelho respiratório parecem ser os mais fáceis de entender.

A obesidade produz uma diminuição do volume corrente e da capacidade residual funcional

2. Mudanças na resposta imunológica e inflamatória.

 Cada vez há mais evidências de que a obesidade é um estado “pró-inflamatório”. Primeiros estudos demonstraram uma associação entre obesidade e diversos marcadores inflamatórios (TNF-α, interleucinas-IL). A IL-6 e o TNF-α se expressam nos adipócitos e se relacionam diretamente com a gordura corporal total. Por outro lado, o TNF-α também está aumentado na asma e está relacionado com a produção de IL-4 e de IL-5 pelo epitélio brônquico e de IL-6 e IL-8. Assim pode-se inferir que a via inflamatória do TNF-α seria a via comum tanto para a obesidade como para a asma.

3. Ativação de genes comuns.

Sabemos do pleomorfismo genético, ou seja, que os genes podem variar sua forma de acordo com o período ou condições ambientais. Pelo que é biologicamente possível apontar que certos genes que estão relacionados com uma determinada doença também poderiam relacionar-se com outra. De fato, se tem identificado regiões específicas do genoma humano que estão relacionadas tanto com a asma como com a obesidade, como por exemplo, os cromossomos 5q, 6, 11q13 y 12q10.

4. Influência hormonal de sexo.

Desde os primeiros estudos longitudinais se evidenciou que os efeitos da obesidade sobre a asma se dá mais em mulheres que em homens.

5. Influência da dieta, da atividade física.

A dieta e a atividade física são dois fatores que influenciam na obesidade e ao que parece também na asma.

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Citocinas pró-inflamatórias e sua relação com doenças associadas a obesidade

O tecido adiposo tem capacidade para produzir mediadores (IL-6 e TNF-α.), que favorecem a resposta inflamatória, daí seu nome (citocinas pró-inflamatórias), mas quando se apresentam em excesso ou em um curso inapropriado de uma resposta imunitária podem causar dano ao próprio organismo.

Um aumento nos níveis de leptina circulante se tem associado com estados inflamatórios crônicos. A relação entre a leptina e estes estados patológicos não é de todo clara.

Os adipócitos desempenham um importante papel neste controle, através da produção e secreção de diversas substâncias reguladoras.

O adipócito pode ser considerado como uma grande fábrica metabólica na produção de adipocitocinas responsáveis pela manutenção da homeostase. O controle da homeostase ocorre através de interações fisiológicas.

Principais adipocitocinas secretadas pelos adipócitos

Leptina

Do grego leptos=magro, é uma proteína composta por 167 aminoácidos e possui uma estrutura semelhante às citocinas.

Indivíduos obesos apresentam elevados níveis plasmáticos de leptina, cerca de cinco vezes mais que aqueles encontrados em sujeitos magros.

Mulheres apresentam maior concentração plasmática de leptina que os homens.

A testosterona reduz a secreção de leptina, enquanto que os estrógenos incrementam sua produção.

Fator de Necrose Tumoral-a (TNF-a)

Aumento na liberação do TNF-a pelo tecido adiposo pode causar inúmeras alterações metabólicas, como por exemplo, ativação das vias inflamatórias.

Interleucina-6 (IL-6)

A IL-6 é uma citocina multifuncional sintetizada por vários tipos celulares, incluindo os adipócitos diferenciados e apresentam função inflamatória. Sua produção aumenta concomitantemente ao aumento da massa adiposa.

Imagem: Pixabay

Nos últimos anos a obesidade deixou de ser uma doença por excesso na ingesta calórica para uma entidade patológica com características próprias. Do ponto de vista molecular, resulta a relevante proposta de que o tecido adiposo tenha capacidade para produzir uma proteína que regule a saciedade, a resposta inflamatória e que uma ausência da mesma, origine um incremento no índice de massa corporal e um estado inflamatório sistêmico que é observável durante as doenças associadas à obesidade.

Sem dúvida, temos que aceitar que isto não é totalmente certo para cem por cento dos obesos, nem tampouco permite explicar outras alterações imunológicas associadas a obesidade, como a relação asma-indivíduo obeso. Na asma do obeso, o estado inflamatório crônico sistêmico colabora para favorecer a hiper-reatividade brônquica.

Prof. LUZIMAR TEIXEIRA

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