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Envelhecimento e sarcopenia

 

Envelhecer com força: exercício físico no combate à sarcopenia e à fragilidade

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 32,1 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, 15,6% da população. Em relação a 2010, esse número cresceu 56%. O desafio não é apenas viver mais, mas garantir autonomia, funcionalidade e qualidade de vida na velhice.

Nesse cenário, fragilidade e sarcopenia merecem atenção. A fragilidade aumenta a vulnerabilidade e está associada a quedas, incapacidade e hospitalização. No Brasil, revisões apontam prevalência de fragilidade de 4,9% a 27,3% entre pessoas idosas da comunidade, enquanto a pré-fragilidade pode chegar a 50,9%. Em idosos hospitalizados, a prevalência é de aproximadamente 41,4%.

A sarcopenia é marcada pela perda progressiva de força, massa muscular e desempenho físico. Estimativas indicam prevalência de 10% a 20% na população global, podendo chegar a 70% em pessoas com doenças crônicas. A massa muscular tende a diminuir cerca de 6% por década após a meia-idade, aumentando o risco de quedas, limitações funcionais, hospitalizações e mortalidade.

A boa notícia é que fragilidade e sarcopenia podem ser prevenidas e parcialmente revertidas. O exercício físico é uma importante terapia não farmacológica. O treinamento resistido favorece força, preserva a massa muscular e contribui para a autonomia. O exercício multicomponente reúne força, potência, equilíbrio, coordenação, exercícios aeróbicos, flexibilidade e dupla tarefa, com benefícios sobre fragilidade, marcha, equilíbrio e desempenho físico, além de possíveis ganhos cognitivos e psicológicos.

“Envelhecimento saudável não significa apenas viver mais, mas preservar a autonomia e a capacidade de participar ativamente da sociedade. A força muscular e a capacidade funcional são fundamentais nesse processo”, explica Guilherme Leutwiler Gabas, Educador do Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (CEPEUSP) e pesquisador da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEUSP).

Foi para investigar essa questão que o CEPEUSP, em parceria com a EEFEUSP, desenvolveu um projeto de pesquisa que compara, durante 16 semanas, exercícios multicomponentes e treinamento resistido convencional em pessoas com 60 anos ou mais. A pesquisa avalia capacidade funcional, sarcopenia, fragilidade, composição corporal, cognição e qualidade de vida.

“No CEPEUSP, a ciência também vira prática: Musculação 60+ e Atividades Físicas Integradas +60 oferecem essas estratégias à população 60+”, destaca Gabas.

 Prof. Guilherme Leutwiler  Gabas

 Principais referências

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2022: população por idade e sexo: resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

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