Mais Saúde: Probióticos

Conheça o que são esses microrganismos, os benefícios que eles trazem para a saúde, principalmente para a microbiota intestinal, como explica a nutricionista do Cepeusp.

Segundo definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos regularmente e em quantidades adequadas, promovem resultados positivos à saúde de quem os ingere. (FAO/OMS 2001)

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O nosso intestino é habitado por diferentes populações microbianas caracterizando a chamada microbiota intestinal. Os microrganismos que compõem a microbiota intestinal sobrevivem e interagem com o ser humano e são importantes na manutenção e modulação do intestino do hospedeiro. Essa microbiota inicia sua formação durante a passagem pelo canal de parto e adquire características principais por volta de dois anos de idade.

Alguns fatores interferem na formação da microbiota e sua manutenção. São eles: tipo de parto (normal ou cesária), aleitamento materno ou artificial da criança, ambientais, como variações na idade, dieta, estilo de vida do hospedeiro, higiene e terapêutica com antibióticos (FIGURA 1; SOMMER E BÄCKHED, 2013).

Figure 1: Factors shaping intestinal microbial composition and effects of dysbiosis on host health.

Microbiota Intestinal desbalanceada pode gerar:

  • alterações como a diarreia associada a infecções ou ao tratamento por antibióticos,
  • a alergia alimentar,
  • o eczema atópico,
  • doenças inflamatórias intestinais,
  • artrite.

Probióticos

Os microrganismos são utilizados na produção de alimentos fermentados, incluindo laticínios, pães, vegetais e, logicamente, vinhos e cervejas, entre outros. O conceito de que esses microrganismos traziam benefício à saúde surgiu mais especificamente no século 20 (atribuído ao ganhador do prêmio Nobel, cientista russo Ilya Metchnikoff), com a ideia de que leites fermentados contendo bactérias do tipo Lactobacilos (“leite azedo”) poderiam proporcionar maior longevidade e qualidade de vida, através da atividade dessas bactérias no cólon, limitando as atividades de microrganismos indesejáveis.

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A influência benéfica dos probióticos sobre a microbiota intestinal humana inclui fatores como:

  •  efeitos antagônicos (produção de compostos antimicrobianos, aumento ou diminuição da atividade enzimática);
  •  competição (por sítios de adesão ou por nutrientes);
  •  efeitos imunológicos (aumento dos níveis de anticorpos, aumento dos níveis dos macrófagos) e.
  •  estimulo da absorção de determinados nutrientes.

Sua ação resulta no aumento da resistência contra patógenos, estimulando a multiplicação de bactérias benéficas, coibindo a proliferação de bactérias potencialmente prejudiciais e estimulando os mecanismos naturais de defesa do hospedeiro. (Puupponen-Pimiä et al., 2002).

A quantidade de probióticos necessária em cada produto varia muito em função da cepa e do produto. Alguns funcionam com doses que contêm entre 1–10 bilhões de UFC (unidade formadora de colônia) /dose, mas alguns conseguem resultados em níveis mais baixos, enquanto outros exigem maiores quantidades. A dosagem tem que estar baseada em estudos em humanos que comprovem seu benefício para a saúde.

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Para garantir os benefícios ao consumir um produto com probióticos, são necessários estudos clínicos que comprovem a quantidade desses microrganismos até o final da vida útil do produto, como, por exemplo, um iogurte. Também é necessário ter certeza de que eles passarão intactos pelo sistema digestório e chegarão vivos até o intestino.

As formas mais comuns de apresentação dos probióticos são os produtos lácteos e os alimentos fortificados, sobremesas à base de leite, sorvetes de iogurte e diversos tipos de queijo.

Mas também existem no mercado comprimidos, cápsulas e sachês contendo essas bactérias. Os probióticos mais usados são as espécies dos gêneros Bifidobacterium e Lactobacillus.

Alguns deles:

  • Bifidobacterium – B. bifidum, B. breve, B. infantis, B. lactis, B. animalis, B. longum e B. thermophilum.
  • Lactobacillus – Lb.acidophilus, Lb.helveticus, Lb.casei, Lb.paracasei, Lb.fermentum, Lb.reuteri, Lb.johnsonii, Lb.plantarum, Lb.rhamnosus e Lb.salivarius

Patrícia Peres
Nutricionista – CRN 5119

Referências

OLIVEIRA, Larissa de. Probióticos, prebióticos e simbióticos: definição, benefícios e aplicabilidade industrial. Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas, Minas Gerais, 2014.

PUUPPONEN-PIMIÄ, R.; AURA, A.M.; OKSMAN-CALDENTEY, K.M.; MYLLÄRINEN, P.; SAARELA, M.; MATTILA-SANHOLM, T.; POUTANEN, K. Development of functional ingredients for gut health. Trends Food Sci. Technol., Amsterdam, v.13, p.3-11, 2002.

GIBSON, G. R. ; HUTKINS, R. ; SANDERS, M.E.; PRESCOTT, S. L.; REIMER, R. A.; SALMINEN, S. J.; SCOTT, K.; STANTON, C.; SWANSON, K. S. ; CANI, P. D. ; VERBEKE, K.; REID, G. Expert consensus document: The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP) consensus statement on the definition and scope of prebiotics. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, v. 14, p. 491–502, 2017.

SOMMER, Felix; BÄCKHED, Fredrik. The gut microbiota—masters of host development and physiology. Nature reviews microbiology, v. 11, n. 4, p. 227-238, 2013. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/235716797_The_gut_microbiota-Masters_of_host_development_and_physiology>. Acesso em 12 set. 2020.

FAO/WHO. Joint FAO/WHO Expert Consultation on evaluation of health and nutritional properties of probiotics in food including powder milk with live lactic acid bacteria. Cordoba, Argentina, October, 2001. Disponível em: <http://www.fao.org/3/a-a0512e.pdf>. Acesso em 12 set. 2020.

BINNS Nino. Probióticos, prebióticos e a microbiota intestinal. Monografias Concisas do ILSI Europe. ILSI Brasil – International Life Sciences Institute do Brasil. Disponível em: <http://ilsi.org/europe/wp-content/uploads/sites/3/2016/05/Probi%C3%B3ticos.pdf> Acesso em: 12 set. 2020.

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